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sexta-feira, 19 de abril de 2013
ORIGAMI
é uma palavra japonesa composta do verbo dobrar (折り=ori)
e do substantivo papel (紙=kami).
Significa literalmente, "dobrar papel". Os registros sobre a sua
origem não são claros, mas a idéia de que teria surgido na China
junto com a invenção do papel é descartada, pois as evidências
sugerem que lá a sua função foi para escrever (Hatori
em K’s Origami ). Para se fazer o ORIGAMI,
tradicionalmente, começa-se com um papel cortado em forma de um
quadrado perfeito. A inspiração dos origamistas
(as pessoas que se dedicam à arte do Origami) está, principalmente, nos
elementos da Natureza e nos objetos do dia-a-dia. Para o origamista, o
ato de dobrar o papel representa a transformação da vida e ele tem a
consciência de que esse pedaço, um dia, foi a semente de uma planta
que germinou, cresceu e se transformou numa árvore. E que depois, o
homem
transformou a planta em folhas de papel, cortando-as em quadrados,
dobrando-as em várias formas geométricas representando animais, plantas
ou outros objetos. Onde os outros viam apenas uma folha quadrada, o
origamista
pode ver a origem de todas as formas se transbordando.
Tradicionalmente, nada é cortado, colado ou desenhado. Para o mestre
origamista, Akira Yoshisawa, o origami é um diálogo entre o artista e o
papel (Prieto,
2008).
No Japão, o papel foi introduzido pelos monges budistas coreanos, em
torno de ano de 610 e os japoneses desenvolveram a sua própria
tecnologia usando fibras vegetais extraídas de plantas nativas: o
kozo para papel resistente, o gampi para os nobres
e mitsumata, para os mais delicados. O papel tipicamente
japonês ficou conhecido como washi e sobre ele podia-se
escrever ou usá-lo para várias finalidades, inclusive para o
origami.
Gampi (Wikstroemia sikokiana)
Mitsumata (Edgeworthia chrysantha) Kozo (Broussonetia
kazinoki)
O registro mais antigo sobre dobradura papel está num poema de Ihara
Saikaku datado de 1680, quando a palavra “orisue” (forma
arcaica) referente ao origami foi utilizada. A prática da dobradura
era restrita às cerimônias religiosas e festivas. Como exemplo de
origami cerimonial temos o casal de borboletas (ocho e
mecho) que enfeitam a garrafa de saquê (vinho de arroz) nos
casamentos. Tem ainda o noshi cuja dobradura é colocada nos
envelopes cerimoniais ou em presentes de grande valor. No livro de
Ise Sadatake, “Tsutsumi-no Ki" (1764) os origamis cerimoniais
foram criados no
Período Muromachi (1336 a 1573).
No
Periodo Edo (1603
a 1867),
o papel tornou-se mais abundante, os origamis tradicionais que conhecemos hoje se tornaram
populares. Foram publicadas duas obras contendo as orientações para
a execução de origamis: “Hidem Sembazuru Orikata” por Akisato Rito
(1797) e “Kayaragusa” por Adachi Kazuyuki (1845). Essa última
obra ficou conhecida como “Kan no Mado”. O grou-japonês ou
tsuru, uma ave considerada tradicionalmente sagrada,
tornou-se o símbolo do origami. Ninguém sabe quem é o autor da sua
criação. O grou tem uma vida longa e por isso foi associado à
prosperidade, saúde e felicidade. Nas festividades o grou está
presente nos papeis de presente ou na forma de dobraduras.
Veja o passo-a-passo para dobrar o tsuru e conheça uma história
real e muito comovente sobre uma garota corajosa chamada
Sadako
Sasaki.